domingo, 20 de setembro de 2009

Devaneador

Somos nós em cada livro
Somos o mesmo personagem em mil fábulas
Crônicas
Rabiscos
Somos nós em cada canção
Em todos os tons
Em todas as línguas

Somos nós em cada silêncio
Nas orações das beatas
No sorriso bobo do gozo
A lágrima borrada do Pierrot
Somos nós nas bandeiras tremulantes
Dos peitos dos generais
E na máquina de escrever enrijecida de ausência
Somos nós nas calçadas entulhadas
Nas abas dos chapéus
Nas pontas dos cigarros
Nos discos arranhados
Nas cartas não escritas
No afago rejeitado
Somos nós estirados nos bancos da praça
E em cada gole de cachaça
Somos nós nas vitrines embaçadas
Nas vitrines estilhaçadas
Nas vitrines recolocadas
E na suspeita simpatia dos vendedores
Somos nós nas fotografias de paisagens
Nas linhas traiçoeiras dos contratos
Nas xícaras intermináveis de café
E nas mensagens subliminares dos sonhadores
Somos nós na cegueira da culpa
Nas pernas dos covardes
E no escárnio dos intrépidos
Somos nós o dedo no gatilho
E o próprio alvo
A idéia perdida nas avenidas ensolaradas
A juventude perdida nas avenidas ensolaradas
A saudade e a despedida nas avenidas ensolaradas
Somos nós a saudade
Somos nós a saudade
Somos nós a saudade
O choro abafado
O travesseiro encharcado
As noites em claro
Somos nós a insônia


E agora somos nós de frente pro espelho
Um olhar envolve o outro
Somos nós o que somos
E assim já não somos mais...

10 comentários:

renata disse...

tão exato que assusta..
;)

Freddy Costa disse...

:D


E pessoal, desculpe minhas postagens serem todos os dias da semana, menos na quinta... rsrs

CA Ribeiro Neto disse...

Somos um nós bem mais restrito do que imaginamos. Nem todos são ou se permitem ser tudo o que enumerou, assim como existem uns tantos que são bem mais...

Posta na quinta, Magro!!!!!

Hermes disse...

Somos nós mesmo, se juntar todo mundo, dará nisso. Mas um ser, talvez não seja muito disso, 1% quem sabe. Caprichou nessa poesia, hein? Posta na quinta, cara. kk Mas tudo bem, se eu ver uma postagem fora de época, lerei, não me arrependi de ter lido essa de agora. Ficou muito bom.

Pedro Gurgel disse...

o cara manja do assunto, mermão! se garantiu!

somos, sim, tudo.

e nada

Thiago César disse...

depois disso não me atrevo a dizer mais nada...
=|

A moça da flor disse...

li quando vc me disse que tinha postado, mas não comentei não sei porque .-.
talvez porque não haja mais nada o que comentar.

Consistente, com a leveza da naturalidade da vida!
linda!

beijo maaaaagro!
;*

Siddha patiya paudita disse...

Além de um violão afinado, o bicho tem uma caneta potente. As mulheres que aguardem! heheheh
Porra, bicho! Esses blogs de quinta emociona a gente mesmo! Gostei, véi!
Abraço!

Paulo Henrique Passos disse...

É, demorou um pouquin pra eu comentar aqui, mas - porra! - somos nós em todos esses versos.

Marília disse...
Este comentário foi removido pelo autor.