terça-feira, 24 de julho de 2012

Durante


Hoje tropecei no mar
Te senti bem perto
Depois saudade.


Quem de nós nunca cantou sozinho?




quinta-feira, 12 de abril de 2012

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Lição

-Sabe, eu queria entender um pouco mais sobre as flores.
-Que bom. Você vai percebê-las como botânico?
-Não, como poeta.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Diálogo

- Sabe, se seu pai era um alcoólatra, viciado em outras coisas e se perdeu na vida, você não deve seguir seus passos!

- De fato, jamais seguirei seus passos, pois seus pés jamais tocaram o chão...

sábado, 28 de novembro de 2009

365

Às vezes vou sentir o amanhecer na praia.
Os dias não se passaram desde aquele.
Às vezes acredito em milagres.
Peço que o sol não suba.
Que o planeta interrompa seu curso natural.
Viro assim a ampulheta do tempo.

Todo caminho é inóspito.
Qualquer caminho chegaria ao mesmo fim.

Desejo emoldurar o momento mais lindo.

Uma lembrança pode conter uma biografia.

O tempo poderia parar num sorriso.
Seu sorriso expande abrigo.
O tempo poderia parar numa lágrima.
Lágrimas são as chaves da alma.
Poderia parar numa canção de amor,
Versos roubados dos entrelaçados olhares.
Poderia parar enquanto um filme era a lei,
O café era vício,
Quando o sonhar era junto
E despedir-se, saudade.
Poderia parar ao dormir abraçado.
No passo apressado num passeio de mãos dadas.
No momento exato que te encontrei.
Ou no momento errado que te perdi.

Mas, das lembranças mais lindas,

Nenhuma me dirá o quanto fui feliz
Como o instante em que seus olhos fechavam ao sentir o cheiro de minha boca...

domingo, 20 de setembro de 2009

Devaneador

Somos nós em cada livro
Somos o mesmo personagem em mil fábulas
Crônicas
Rabiscos
Somos nós em cada canção
Em todos os tons
Em todas as línguas

Somos nós em cada silêncio
Nas orações das beatas
No sorriso bobo do gozo
A lágrima borrada do Pierrot
Somos nós nas bandeiras tremulantes
Dos peitos dos generais
E na máquina de escrever enrijecida de ausência
Somos nós nas calçadas entulhadas
Nas abas dos chapéus
Nas pontas dos cigarros
Nos discos arranhados
Nas cartas não escritas
No afago rejeitado
Somos nós estirados nos bancos da praça
E em cada gole de cachaça
Somos nós nas vitrines embaçadas
Nas vitrines estilhaçadas
Nas vitrines recolocadas
E na suspeita simpatia dos vendedores
Somos nós nas fotografias de paisagens
Nas linhas traiçoeiras dos contratos
Nas xícaras intermináveis de café
E nas mensagens subliminares dos sonhadores
Somos nós na cegueira da culpa
Nas pernas dos covardes
E no escárnio dos intrépidos
Somos nós o dedo no gatilho
E o próprio alvo
A idéia perdida nas avenidas ensolaradas
A juventude perdida nas avenidas ensolaradas
A saudade e a despedida nas avenidas ensolaradas
Somos nós a saudade
Somos nós a saudade
Somos nós a saudade
O choro abafado
O travesseiro encharcado
As noites em claro
Somos nós a insônia


E agora somos nós de frente pro espelho
Um olhar envolve o outro
Somos nós o que somos
E assim já não somos mais...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Das diferenças

Escolhi um trabalho em que meus frutos não me alimentam, mas não são estranhos a mim.

Meu fruto sou eu disseminando, disseminado.

Minha arte é minha vida e pertenço a ela.

Não pretendo ser meu próprio assassino.

Mas se meu sangue fraquejar, se já não houver saída...



Aos nossos filhos

Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...

Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...

Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...

E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...

E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...

Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...

Digam o gosto pra mim...

De Ivan Lins e Vitor Martins



(...) quando já não puder mais sentir o sabor, quando perder o direito de fechar os olhos e abrir as portas, atendam ao pedido deste simples menino e digam o gosto pra mim, digam aos nossos filhos que já fui pássaro, que já fui flor, mas digam que ainda não fui...