terça-feira, 11 de agosto de 2009

Essencial

Escrever sem inspiração requer inteligência demais. Nasci sem tal recurso e nunca ousei cultivá-lo, esperando uma colheita futura.
Já escrevi versos e prosas de teor digno de doutor, de homem culto, assim como esbocei migalhas poéticas carregadas da verdadeira força de meus sentimentos.

Escrever poesia não faz de você um poeta.
A inteligência não faz de você um poeta.
Repito tais palavras diante do espelho sempre que penso no que sou.

Minha história diz:
- És poeta.
Mas minha história não se olha no espelho, nem se pergunta o que ela é.
No fim, é só mais uma história...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O poeta

Quando o poeta sai à rua

Logo ela se mostra tão sua

Logo ele dá seu parecer

Como quem quer viver

E nas suas voltas pelas curvas

Coisas se encaixando como luvas

Coisas que não sabe entender

Só não sabe porquê

Ele que só sabe, então, se perguntar

Como sua vida segue ao deus dará

Fecha os seus olhos pra voltar a ser

No amanhecer

Vai se entrelaçando entre os hábitos

Cai na rua feito os gatos pálidos

Desejando ao outro o seu penar


Quando sua reza não o ajuda

Pensa no seu ódio, em sua luta

Pensa em pensar em esquecer

Como quem quer morrer

Sonha com pecados e se multa

Topa em suas pernas e se insulta

Topa qualquer coisa pra saber

Porquê tanto sofrer

Ele que não sabe, então, se perdoar

Come sua vida e segue ao deus dará

Fecha os seus olhos pra não se perder

E ele vê

Que os carros da avenida são tão rápidos

Bárbaros sensíveis como os sábios

Desfilando louco à beira-mar

Então vai ler

Escrito nos seus versos mais inválidos

Todos os segredos dos culpados

Pelo medo de não ter com quem chorar




Esta poesia é uma canção, escrita já há alguns anos, mas que ainda mexe comigo...

Gostaria de ter escrito coisas inéditas, coisas que estou vivendo, mas seria um tanto cruel com quem me fez muito mal nos últimos dias.

Dedico esta poesia para meus novos dias de sonho, para acender o que tanto me nego.


Pessoal dos blog's de quinta, olha eu chegando!!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Um bom filho...

Enfim.
Após uma longa pausa propositalmente improdutiva, assimiliando mundos que sempre quis degustar, voltarei a expor de forma regular aquilo que escrevo, que canto, que sinto.
A partir de amanhã, seguirei com a rotina de um antigo projeto, que ainda não convém revelar.

Prometo-me disciplina, disposição e sinceridade.




Escritos dedicados...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Confissão

Agora sim, estarei realmente longe de orkut, de msn, de bebida, de mim.
E isto não é nenhum sacrifício, mas talvez signifique minha salvação.
Assim mesmo, limpo e seco?
Exatamente.
Por enquanto, minha alma e corpo só me permitem confessar até aqui. O resto, se assim me for permitido, será lentamente exalado por mim neste blog, que consistirá no diário poético de um pássaro ou de uma flor...


Coloco-me diante do espelho e vejo meu pai.
Preciso ir agora, dar uma volta e descansar...

sábado, 5 de julho de 2008

Algo sobre o amor

Liberdade não é o desejo de entregar-se a outros corpos, perder-se em outros mundos.

Liberdade não é de fora para dentro.

Liberdade é uma força que nos impulsiona para o que de mais belo podemos possuir, para o que de mais forte e lindo o outro pode oferecer.

Liberdade pode ser até a vontade de prender-se.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Sobre essas coisas da vida

As noites poéticas são devaneios errantes.

Um sábio poeta clamava:

“Erro. Erro e repito.”

A virtude do erro é a de não ser esquecido.


Os erros poéticos são devaneios noturnos.

Tristeza é o sonho escorrer quando a luz se aproxima....


Daí o poeta procura sua porta:

Retorna ao lar como um filho pródigo.

Vai redigir no sono mais profundo

A poesia que devaneia nos erros noturnos...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Tem noites

Tem noites que as lágrimas não escorrem
Concorrem com o grito choroso da madrugada
Onde nada parece quebrar o silêncio
Quebramos copos em nossos corpos ainda com vida
Bebendo o néctar da solidão como saliva
Encontrando a saída sem nem ter chegado a algum lugar
Se escondendo em lugares onde não há saída
Ao léu, junto ao véu-verbo "perder-se"
Cujo encontrar-se é o destino da vida
Via sem volta
Olhos fechados
Olhar para dentro
Lembrar do esquecimento
Esquecer das lágrimas que secaram fronte ao sol recém-nascido
Lágrimas que não cairam ao luar desfalecido
Lágrimas compostas de água, sal e saliva
De mágoa, mal e vida
Lagrimar: verbo-véu singelo usado em pequenas doses
Para diminuir grandes dores
Proveniente de amores de outrora
Existe hora errada para amar?
Amar: verbo atemporal fruto de tempestades e calmarias
Pretérito imperfeito, assim como seu presente e seu destino
No futuro, ainda o terei presente, passado pela peneira do tempo e levado,
Assim, como se fosse poeira pelo vento
Levado para o lugar mais longe que existe:
Para dentro...


André Bonfim e Freddy Costa





Poesia para lembrar das poesias que vivemos...