sábado, 5 de julho de 2008

Algo sobre o amor

Liberdade não é o desejo de entregar-se a outros corpos, perder-se em outros mundos.

Liberdade não é de fora para dentro.

Liberdade é uma força que nos impulsiona para o que de mais belo podemos possuir, para o que de mais forte e lindo o outro pode oferecer.

Liberdade pode ser até a vontade de prender-se.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Sobre essas coisas da vida

As noites poéticas são devaneios errantes.

Um sábio poeta clamava:

“Erro. Erro e repito.”

A virtude do erro é a de não ser esquecido.


Os erros poéticos são devaneios noturnos.

Tristeza é o sonho escorrer quando a luz se aproxima....


Daí o poeta procura sua porta:

Retorna ao lar como um filho pródigo.

Vai redigir no sono mais profundo

A poesia que devaneia nos erros noturnos...

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Tem noites

Tem noites que as lágrimas não escorrem
Concorrem com o grito choroso da madrugada
Onde nada parece quebrar o silêncio
Quebramos copos em nossos corpos ainda com vida
Bebendo o néctar da solidão como saliva
Encontrando a saída sem nem ter chegado a algum lugar
Se escondendo em lugares onde não há saída
Ao léu, junto ao véu-verbo "perder-se"
Cujo encontrar-se é o destino da vida
Via sem volta
Olhos fechados
Olhar para dentro
Lembrar do esquecimento
Esquecer das lágrimas que secaram fronte ao sol recém-nascido
Lágrimas que não cairam ao luar desfalecido
Lágrimas compostas de água, sal e saliva
De mágoa, mal e vida
Lagrimar: verbo-véu singelo usado em pequenas doses
Para diminuir grandes dores
Proveniente de amores de outrora
Existe hora errada para amar?
Amar: verbo atemporal fruto de tempestades e calmarias
Pretérito imperfeito, assim como seu presente e seu destino
No futuro, ainda o terei presente, passado pela peneira do tempo e levado,
Assim, como se fosse poeira pelo vento
Levado para o lugar mais longe que existe:
Para dentro...


André Bonfim e Freddy Costa





Poesia para lembrar das poesias que vivemos...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Poesia estranha

Nem suas melhores respostas,
Nem suas fraturas expostas,
Nem suas verdades opostas.
Nada me é rejeitado!
Nada me é inútil...

As lembranças são os protótipos das ações futuras.
Fragmentos usados para recompor
As múltiplas faces deste eterno livro em branco,
De páginas encharcadas de passado,
Onde o fétido afaga o sublime,
Numa comunhão entre o desconhecido e o esquecido...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Pra não deixar em branco o branco

Aqui deixarei registrado qualquer ameaça de inspiração, para que possa pelo menos manter uma promessa idiota de escrever o máximo possível...

Vejo meus amigos a todo vapor.
Escrevem, produzem.
Eles dão mais mundo ao mundo!
Eu? Padeço.
Sem razão,
Sem ação,
Sem trabalho.
Falta algo em mim...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Pra não dizer que não falei quem somos

Sabe, acordei de madrugada (se é que eu dormi) e me perguntei o que somos. Quanto a isso, nada de diferente, passo o dia a viver para a noite pensar o que é a vida. Sei que não sou o único, seria pretensioso demais afirmar que somente eu esqueço que viver é bem melhor do que saber para que viver. E o que é viver? Essa pergunta também não é inédita, assim como sua resposta nunca é satisfatória. Pode não ser pra você, mas viver é a eterna busca pela realização dos nossos sonhos e, quando paramos de buscá-los, voltamos a sonhar, para ter o que buscar.
Será que somos tristeza? Será que somos alegria? Será que somos desejo? Simples e pura fantasia? Sabe, às vezes somos nada, às vezes tudo, às vezes um pouco de cada... Às vezes somos algo que somente às vezes somos, mas, sem saber, somos sempre a mesma coisa. Então somos eternamente iguais? Nem eternos, nem iguais, quem sabe, nem somos... Talvez sejamos aquilo que temos que ser para realizar nossos sonhos, as modificações necessárias para a conquista do que desejamos. Sendo assim, somos um ímã que atrái somente o que nos convém, integrando o adquirido ao nosso ser. Por isso, somos seres tão paradoxais, tão complexos, tão fingidos, tão interessantes.

Existe algo que deixei passar, de fundamental importância para entendermo-nos: antes de adquirirmos algo, necessariamente teríamos que ser algo, que se chama essência. Ela é como um filtro, que determina aquilo que temos de sugar para complementá-la, baseando-se em critérios que correspondem a ela mesma. Portanto, é a nossa essência que traça o caminho para a conquista do que somos, ela determina o que sonhamos, o que queremos, o que devemos. Ah! O que é a essência? Ela bate acelerada no meu peito, me faz agir de um modo inesperado, me faz amar o que não devo, me faz pensar no que somos, me faz até escrever textos sobre aquilo que não faço a menor idéia do que seja, mas que, mesmo assim, me faz ser aquilo que quero ser: meus sonhos...

domingo, 13 de janeiro de 2008

Sobre o vermelho

Nesses últimos dias que pude viver
Descobri coisas que não sabia,
Verdades que desconhecia
E hoje temo pelo meu viver.

A angústia é um sentimento extremamente complexo.
É olhar uma foto e não tocar a imagem em sua existência concreta,
Sentido-a mesmo não cravando as unhas e dentes.
Descobri que frustração é ser um poeta inativo.
É guardar para si as expressões de sentimentos tão genéricos quanto singulares.
É respirar mais profundamente e excretar o infinito,
Exalando o mais puro e derradeiro vestígio de vida.

O vermelho que me inunda é o mesmo que me escorre pelo corpo
Como larva que corrói a superfície inofensiva em seu caminho
Meu vermelho é dor
É tristeza
É saudade...